Em Parapedagogia, Reeducaciologia

Aprendizagem. Segundo Jean-Pierre Pourtois e Huguette Desmet em sua obra A Educação Pós-Moderna, assim como os filhos aprendem naturalmente com os pais a serem ao mesmo tempo filhos e a serem pais, absorvendo tacitamente o modelo pedagógico de instrução paterna, os alunos aprendem naturalmente com os professores ao mesmo tempo a serem alunos e também a serem professores, absorvendo tacitamente o modelo pedagógico de instrução de seus professores (POURTOIS & DESMET, 1999, p. 207).

Estilo. Desmet & Pourtois (1999) argumentam que esta influência é determinante no estilo docente destes alunos ao se tornarem professores no futuro. Assim, os alunos tendem a ensinar do mesmo modo que aprenderam.

Identidade. O pesquisador Pierre Bourdieu explica que cada indivíduo incorpora em si próprio um modelo pedagógico vivido na infância e na adultidade, e tende a reproduzi-lo quando, por sua vez, se torna educador. Bourdieu chamou este fenômeno de identidade pedagógica.

Base. Esta identidade pedagógica inclui os valores e práticas educativas vivenciados no processo de socialização da criança e agora tornados próprios do indivíduo, formam uma pedagogia de base, existente de modo mais ou menos consciente.

Mesologia. Considerando as variáveis estudadas pela transposição didática, especificamente a influência das definições institucionais de conteúdo e forma do ensino, e a influência destas definições na práxis do professor, é possível inferir que a mesologia institucional, incluindo os professores, métodos e filosofia pedagógica da instituição, contribuam para a formação desta pedagogia de base em seus alunos, e, deste modo, influenciem na práxis deste futuro docente.

Características. A seguir, 9 exemplos de características possíveis de serem absorvidas pelos alunos e replicadas quando se tornarem docentes em sua futura trajetória educacional:

1. Expressões linguísticas: ganchos didáticos; macetes pedagógicos; enunciado categóricos; expressões coloquiais didáticas.
2. Exemplos didáticos: cases; esquemas didáticos; citações didáticas; pontos de vista; observações didáticas.
3. Expressões corporais: histrionismo; postura; modo de andar, modo de sentar; opinião, posicionamento.
4. Voz: tonalidade; intensidade; histrionismo vocal.
5. Vestimenta: roupas; acessórios; guarda-pó; chapéu; joias; calçados.
6. Comportamento em sala: posturas; posicionamentos; trejeitos.
7. Estilo docente: acolhedor; austero; firme; suave; amoroso; empático; rígido; flexível; debatedor; participativo.
8. Valores pessoais: escolhas pessoais; estilo de vida pessoal.
9. Conteúdos: ideias; falas; exemplos; argumentos didáticos.

CCCI.
No contexto da Conscienciologia por exemplo, os métodos de ensino próprios das Instituições Conscienciocêntricas (ICs) foram apreendidos dos professores pioneiros pelos seus alunos na ocasião. Aprenderam a Conscienciologia e aprenderam como ensinar a Conscienciologia.

Formação. Os programas para formação docente têm sua própria filosofia, influências e metodologias. Neles a pedagogia de base existe implícita e explícita, pois os participantes dos programas têm o objetivo de se tornarem também professores, e naturalmente se espelham em seus professores durante o processo formativo. Estes professores funcionam como referências do que fazer e do que não fazer em sala de aula.

Diferenciação. Considerando a formação do professor, é possível propor uma diferenciação da pedagogia de base em 2 tipos: pedagogia de base natural e pedagogia de base formativa.

1. Natural. A pedagogia de base natural é aquela à qual todos os alunos vivenciam naturalmente por estarem participando de programas educacionais formais ou não formais em sua trajetória de vida.

2. Formativa.
A pedagogia de base formativa é aquela à qual somente os professores em formação (professorandos) estão expostos e sofrem alguma influência.
Modificação. Certamente existem aspectos da prática docente bastante influenciados pela pedagogia de base e alguns deles possíveis e desejáveis de serem reciclados. A autocrítica no processo autoavaliativo e reflexivo do professor semperaprendente, atribuem as condições iniciais para a modificação da pedagogia de base.

Dialética. Para Pourtois & Desmet (1999), a modificação da pedagogia de base não ocorre por completo, mas em um movimento dialético entre a pedagogia de base e as novas estratégias docentes incorporadas pelo professor. Este processo resulta em uma pluralidade de práticas pedagógicas conscientes e inconscientes (POURTOIS & DESMET, 1999, p. 211).

Oculto. A pedagogia de base pode ser considerada parte do currículo oculto das instituições de ensino, ou seja, as normas, comportamentos e valores não oficiais que os estudantes aprendem nas instituições de ensino e que não são necessariamente um produto de vontade consciente.

Transposição. A pedagogia de base é estudada neste artigo por ser um importante fator influenciador da transposição didática, especialmente nos fenômenos de recontextualização, descontemporalização e naturalização, uma vez que ocorrem no interior das instituições de educação (transposição didática interna).

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1. ALVES FILHO, Jose de Pinho. Atividades Experimentais: do Método à Prática Construtivista. Tese de doutorado. Florianópolis, Brasil: disponível em moodle.stoa.usp.br/mod/resource/view.php?id=40944, 2000.
2. GAUTHIER, Clermont. Ensino explícito e desempenho dos alunos: a gestão dos aprendizados. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.
3. POURTOIS, Jean Pierre; DESMET, Huguette. A Educação Pós Moderna. Loyola, 1999.
4. VIEIRA, Waldo. Dicionário de Argumentos da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2014 (Verbetes: Abertismologia; Antilinguisticologia; Autoparageometriologia; Excelenciologia; Introspecciologia; Neoperspectivologia; Paracienciologia).
5. _____________. Enciclopédia da Conscienciologia Eletrônica. 8ª Ed. Digital. Foz do Iguaçu, PR, Associação Internacional Editares; Associação Internacional do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC), 2013 (Verbete Princípio Coloquial).

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William Klein
William Klein, licenciado em Física, empresário. Voluntário da Conscienciologia desde 1992. Fundador da Reaprendentia, presidente da Reaprendentia de 2007 a 2015, professor de Conscienciologia desde setembro de 2000, tenepessista.

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